Amo como o amor ama. Não sei razão pra amar-te mais que amar-te. Que queres que te diga mais que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo? Quando te falo, dói-me que respondas ao que te digo e não ao meu amor. Ah! não perguntes nada; antes me fala de tal maneira, que, se eu fora surda, te ouvisse todo com o coração. Se te vejo não sei quem sou: eu amo. Se me faltas [...] Mas tu fazes, amor, por me faltares mesmo estando comigo, pois perguntas — Quando é amar que deves. Se não amas, mostra-te indiferente, ou não me queiras, mas tu és como nunca ninguém foi, pois procuras o amor pra não amar, e, se me buscas, é como se eu só fosse alguém pra te falar de quem tu amas. Quando te vi amei-te já muito antes: Tornei a achar-te quando te encontrei. Nasci pra ti antes de haver o mundo.Não há cousa feliz ou hora alegre
Que eu tenha tido pela vida fora, que o não fosse porque te previa, porque dormias nela tu futuro. E eu soube-o só depois, quando te vi, e tive para mim melhor sentido, e o meu passado foi como uma 'strada iluminada pela frente, quando o carro com lanternas vira a curva do caminho e já a noite é toda humana. Quando eu era pequena, sinto que eu
Amava-te já longe, mas de longe... Amor, diz qualquer cousa que eu te sinta!
— Compreendo-te tanto que não sinto,
Oh coração exterior ao meu! Fatalidade, filha do destino e das leis que há no fundo deste mundo! Que és tu a mim que eu compreenda ao ponto de o sentir...?